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Grupo Escoteiro Silva Paes – 71 anos formando cidadãos.

quarta-feira, 19 de Maio de 2010 | 17:08

Quero convidar os leitores para uma experiência imaginária. Por favor, deixem-se conduzir numa viagem de regresso pelos tempos. Proponho a todos que nos igualemos nas idades. Hoje, aqui e agora, homens e mulheres, jovens e adultos, todos, sem exceção, tem entre 7 e 18 anos.

Como se trata de uma viagem, ainda que imaginária, precisamos nos organizar a fim de que não nos dispersemos. Por favor, mantenham-se alerta para que não percamos nenhum detalhe das imagens que vamos reconstituir sobre o movimento escoteiro. Há outra regra que precisa ser observada. É vedado interagir, apenas nos é dado o privilégio de observar, de nos maravilhar com o maior movimento voluntário juvenil do mundo.

Estão prontos? Então podemos começar. Deixemos nossos corpos flutuarem ao sabor do imaginário e à velocidade da luz. Nossa odisséia começa no longínquo entardecer de 31 de julho de 1907, na Ilha de Brownsea, situada na baía de Poole na costa sul da Inglaterra. Olhem! Lá em baixo! Estão vendo seis barracas brancas tipo “sino” e uma barraca militar? Vamos chegar mais perto. É um acampamento! Tem um mastro no centro no qual tremula a bandeira Inglesa. Vejam aquela fogueira em torno da qual estão reunidos vários meninos! São vinte ao todo e devem ter entre 9 e 17 anos. Aquele senhor ali, aparentando uns 50 anos, que sobressai aos pequenos, deve ser o chefe. Por favor, façam silêncio para que ouçamos o que diz. Estão ouvindo? Está contando estórias da Índia e da África. Muito interessante. Agora está repassando algumas explicações sobre a programação do acampamento.

A tarde se fez noite e o primeiro fogo de conselho de Brownsea terminou devagarzinho ao som de orações.

No dia seguinte, 1º de agosto de 1907, tinha início oficialmente o primeiro acampamento de escoteiros sob o comando de Robert Stephenson Smyth Baden-Powell. Os 20 garotos foram divididos em 4 patrulhas: Maçarico, Corvo, Lobo e Touro (O sobrinho de BP foi nomeado ajudante).

Os dias que se seguiram foram marcados por intensas atividades, favorecidas por um “bom terreno escoteiro” com duas milhas de comprimento e uma milha de largura, com muitos bosques e com dois lagos no centro. As patrulhas acampavam por sua conta, sob a direção de seus próprios monitores, com total responsabilidade pela sua honra de levar adiante os desejos do Chefe e com grande eficiência. O ritual mais marcante de todos era o fogo de conselho, antes das orações e do apagar das luzes. Ao redor do fogo, à noite, o Chefe contava algumas histórias assustadoras, conduzia ele mesmo o canto Eengonyama e com seu jeito inimitável atraia a atenção de todos. Ele ficava diante da luz, alerta, cheio de alegria e de vida, um momento grave, outro alegre, respondendo todas as questões, imitando o chamado dos pássaros, mostrando como tocar um animal selvagem, contando uma história curta, dançando e cantando ao redor do fogo, mostrando uma moral, não apenas em palavras, mas usando histórias e convencendo todos os presentes, rapazes e adultos, que estavam prontos para segui-lo em qualquer direção.

O dia 8 de agosto, término do acampamento, foi de atividades esportivas e culminou com um cabo-de-guerra entre os “passarinhos” (Maçarico e Corvo) contra os “animais” (Lobo e Touro). Os pássaros venceram.

Acabamos de nos tornar testemunhas oculares do nascimento de um movimento mundial, educacional, voluntário, apartidário e sem fins lucrativos, criado com o intuito de desenvolver no jovem um crescimento nos parâmetros da fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina. Pronto! Podemos retornar ao nosso tempo.

O Movimento Escoteiro desenvolveu-se rapidamente. Em 1908 já estava no Chile e, em 1910, chegava ao Brasil. Da concepção original, de algo para os rapazes ingleses, o Escotismo transformou-se em um eficiente sistema de educação não formal para jovens, homens e mulheres, na faixa etária dos 7 aos 21 anos, acompanhados por líderes adultos, que se dedicam a lhes oferecer atividades que proporcionem experiências educativas e que contribuam para a formação integral de futuros cidadãos.

A Organização Mundial do Movimento Escoteiro, fundada pelo próprio Baden-Powell, reúne, atualmente, mais de 28 milhões de membros em 216 países e territórios, constituindo-se a maior associação mundial de jovens, com relevante trabalho em busca da paz e da compreensão entre as pessoas, superando diferenças, distâncias e fronteiras.

No dia 23 de abril comemora-se o Dia Mundial do Escoteiro, em homenagem a São Jorge, escolhido por Baden-Powell o padroeiro dos escoteiros. No primeiro Centenário do Escotismo - do primeiro acampamento até 2007, estima-se que mais de quinhentos milhões de pessoas, homens e mulheres, da maioria dos países e culturas do mundo, tenham prometido viver em conformidade com a Lei e a Promessa Escoteira. Passaram a fazer parte da Grande Fraternidade Mundial Escoteira, fato que define o lema das comemorações do Centenário do Escotismo – Um Mundo, Uma Promessa.

Em Rio Grande, o movimento escoteiro já soma 71 anos de existência. O capitão-de-mar-e-guerra, comandante SOSTHENES BARBOSA, Capitão dos Portos do Sul, sediado na capitania dos Portos do Rio Grande, vindo do Rio de Janeiro, onde teve oportunidade de conhecer o movimento escoteiro, ao chegar em nossa cidade, durante uma reunião do Rotary Club Rio Grande, falou muito animadamente sobre o escotismo: vantagens, métodos, objetivos para a boa formação dos jovens. O entusiasmo foi tão contagiante que conseguiu transmitir facilmente suas idéias aos homens de visão ampla e interesse na juventude.

Sucederam-se uma série de reuniões da diretoria para a organização da Tropa de Escoteiros. Em 18 de maio de 1939, por iniciativa dos ilustres cidadãos mencionados, na sede do Parque, hoje chamado “Parque do Trabalhador”, foi instalado oficialmente o Grupo de Terra, sob a chefia do Cabo Aurélio Lopes de Almeida, Cabo da Corporação da Base. Dez dias após, em 28 de maio, foi realizada a primeira excursão com a Tropa atravessando os campos da Hidráulica Municipal, seguindo sinais de pista marcados por dois escoteiros que iam à frente, até o Bosque Silveira.

Houve várias trocas de chefes e endereços, mas a Tropa Silva Paes não cessa nem interrompe suas atividades. Hoje, vencidas as dificuldades, sobrevive garbosa na sua sede própria da Rua Moron, 90, esquina Baden-Powell.

Aqui no venturoso Rio Grande de São Pedro a flor-de-lis, símbolo do escotismo, fecundou com o seu pólem benfazejo o coração e a mente de centenas de jovens que optaram por viver em conformidade com a lei, fazendo parte da Grande Fraternidade Mundial Escoteira.

Para marcar os 71 anos de atividade do GESP – Grupo Escoteiro Silva Paes, proponho que a Lei Escoteira torne-se obrigatória para todos os homens e mulheres de bem dessa comuna.

Lei escoteira

1 - O Escoteiro tem uma só palavra; sua honra vale mais que sua própria vida.

2 - O Escoteiro é leal.

3 - O Escoteiro está sempre alerta para ajudar o próximo e pratica diariamente uma boa ação.

4 - O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros.

5 - O Escoteiro é cortês.

6 - O Escoteiro é bom para os animais e as plantas.

7 - O Escoteiro é obediente e disciplinado.

8 - O Escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades.

9 - O Escoteiro é econômico e respeita o bem alheio.

10 - O Escoteiro é limpo de corpo e alma.

 

Parabéns ao Grupo Escoteiro Silva Paes.


Escrito por Delamar Corrêa Mirapalheta

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Alberto Amaral Alfaro

natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.

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