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Incisiva prova da origem dos pedágios

quinta-feira, 14 de Junho de 2012 | 14:28

“Se os velhacos soubessem da vantagem que há em ser honesto, seriam honestos

por velhacaria.”

Rui Barbosa

 

Há séculos conjetura-se sobre a verdadeira origem do Estado, se familiar, patrimonial ou da força. Mas em relação a origem de certos “entes morais”, resta sobejamente comprovada, cá, no sul do Sul, a sarcástica teoria de Reclus: “Os antigos agricultores tinham de atravessar um desfiladeiro para cultivar um vale fértil. Logo instalou-se, numa das encostas, um sujeito possante, que passou a cobrar-lhes pedágio. Empolgado com o êxito do ´insigne´ pioneiro, posicionou-se, na vertente oposta outro assaltante, que passou a cobrar a mesma taxa. Com o surgimento de um terceiro rapinante, os agricultores se retraíram e passaram a utilizar longa rota alternativa. Indignados com o superveniente prejuízo, os dois primeiros aproveitadores se uniram e lograram expulsar o intruso, só que, majoraram o preço anteriormente cobrado,como recompensa por mais este ´serviço´prestado.”

Por ocasião da visita do presidente Lula a Bagé, lhe foi entregue uma moção de repúdio, denunciadora das omissões e dos abusos praticados nas rodovias pedagiadas. Fato singular: a moção sobredita foi assinada por todos os 15 vereadores de Pelotas, que conseguiram superar divergências partidárias em torno de um objetivo comum, que é o bem comum, cujo, escusado frisar, não é um lugar comum.

Patente e patentíssima, na BR-116, a crepitação da gangrena moral: altas tarifas; falta de critério – três pedágios no sentido Pelotas-Porto Alegre e quatro de torna-viagem - ; aquaplanagens que resultaram em mortes; acostamentos erosados,, onde, cínica e precavidamente apõem placas de PROIBIDO ESTACIONAR. Adicione-se a inexistência de rotas alternativas, agravada pela obstrução criminosa destas, batizadas de “rotas de fuga”, como se fora-da-lei fôssemos. Entre os transtornos: os engarrafamentos causados pela falta de funcionários nos guichês em horas de fluxo intenso. Tamanha – e pouco cristã – é a fúria arrecadatória, que cobram pedágio dos carros-fúnebres, quando os cemitérios se localizam no perímetro suburbano. Até o eixo suspenso dos caminhões é pedagiado. Cobram pelo espaço aéreo... Pode!?

Além do mais – como se necessário fosse um além do mais -, impossível inventariarmos todas as situações de constrangimento: a aflitiva busca das moedas para o troco (nada é sem importância no Direito...), as viagens abortadas pelo alto custo da tríade: refeição, combustível, pedágio; externalidade negativa esta que atinge, também, aqueles que não possuem automóvel, dado o reflexo na elevação geral dos preços. Coestaduanos deixam de comparecer a importantes eventos e até mudam de domicílio por não suportarem a cupidez das Concessionárias. Oportuno lembrar, que íntegros radialistas, que se opunham aos pedágios, foram amordaçados pela manobra curvilínea de contratos generosos, celebrados entre as Concessionárias e as Emissoras de rádio. Trata-se de uma externalidade negativa sobre a qual nem o Governo tem controle, o que sobremodo justifica a corajosa criação de um órgão paraestatal.

Espanta-nos, pois, embora raras, as manifestações de alguns masoquistas – ou subsidiados por esses “entes morais” – no sentido de prorrogarem a rapinagem nas estradas,máxime, por estarem a justificar o triste dito sentencioso: “Criaturas que nasceram para ser devoradas, infelizmente não aprendem a não deixar-se devorar.”

 

Paulo F. M. Pacheco , ex- presidente da Associação dos Usuários das rodovias de Pelotas

Cir. Bucomaxilofacial – CRO 2340

 


Escrito por Paulo F.M. Pacheco

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Alberto Amaral Alfaro

natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.

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