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CONTROLADORES CHATOS

terça-feira, 07 de Março de 2017 | 14:47

 

Compartilhar do mesmo espaço com quem busca ou exerce o controle não é um exercício fácil. Os mínimos detalhes são questionados constantemente. Qualquer regra que seja estabelecida, dentro de uma normalidade, é sinônimo de confrontações e atritos. Essas, não são bem aceitas ou digeridas. O indivíduo parece estar sempre "armado" para um embate. As manifestações contrárias, no fundo, não encontram nenhuma justificativa plausível. Oposições e críticas exacerbadas são marcas registradas no convívio social.

Associado aos pontos supracitados, comumente, temos características obsessivas. Certa vez, um paciente confessou o seu extremo desconforto, pelo fato do fio do interfone ficar retorcido durante as sessões. Diante da reclamação e visando acalmá-lo, disse que, caso desejasse, poderia arrumá-lo quando chegasse. O exemplo, aparentemente sem nexo, no fundo, é mais uma faceta do modo como lida com as situações e as pessoas que estão ao seu redor. As "imperfeições" são intoleráveis. Como ponto central, paradoxalmente, tem consciência das dificuldades pelas quais passa, porém, não consegue modificar o seu comportamento. Anseios por um "cem por cento", em todos os sentidos, são constantes. O dedo acusatório não para. Todo mundo está errado por vários motivos e somente o seu raciocínio lógico é o correto. A lei que se estabelece é do tipo "tudo ou nada". Por outro lado, a inteligência que possui busca, de modo incansável, que todas as coisas da realidade, estejam de acordo com aquilo que espera. O que não se enquadra, não serve. Essa dinâmica tem como finalidade manter o equilíbrio e a segurança. Destarte, a forma como conduz os diálogos, em vários momentos é irritante. Qualquer "vírgula" contrária é rechaçada veementemente. A razão, sem dúvida, sempre está ao seu lado. A incapacidade de ouvir é mínima. Falar, convencer, persuadir, é o objetivo maior. Prolixidade. Não obstante, "chateia".

Rejeições ou impressões de não ser o preferido, carências das mais variadas ordens, sentimentos de inferioridade, são alguns aspectos que desencadeiam o quadro. Inúmeros mecanismos de defesa são formados no sentido de, "magicamente", eliminar todas as fontes desencadeadoras de ansiedades ou angustias. A aparente segurança ou confiança transmitida, acoberta uma fragilidade extremamente significativa. Em outras palavras, temos um invólucro protetor que dificulta aproximações mais verdadeiras e espontâneas. Sendo assim, os vínculos com portadores desse perfil, apresentam arestas extremamente desgastantes.

Em suma, diante do conjunto apresentado, a infelicidade é uma consequência óbvia. Dificilmente nas relações interpessoais, há um alcance mínimo necessário para um entendimento mais adequado do todo indissociável e a ruptura das barreiras.  Esquivas, distanciamentos, são respostas naturais daqueles que estão ao redor. Dessa forma, em decorrência das frustrações e sofrimentos, automaticamente, novos ciclos protetores são restabelecidos.


Escrito por Ricardo Carvalho

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QUEM SOU

Alberto Amaral Alfaro

natural de Rio Grande – RS, advogado, empresário, corretor de imóveis, radialista e blogueiro.

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